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Blog da Clínica Vitalità

Clínica de Reabilitação Integrada

Método ABA: Você sabe como é o aprendizado para crianças Autistas?

Existem diversas técnicas que podem influenciar na aprendizagem da criança autista, uma delas é o método ABA. Confira nosso post e saiba mais!

O assunto a ser tratado está ligado ao TEA – Transtorno do Espectro Autista, ou simplesmente Autista, com foco principalmente no método ABA. Para situar os leitores profissionais da área da saúde, educação, os pais ou outros leitores, será feita uma alusão simplificada do transtorno e da possibilidade de trabalho oferecida por este método.

Você sabe o que é TEA?

TEA, ou Transtorno do Espectro Autista, é um distúrbio que compromete o desenvolvimento global do sujeito, sendo normalmente diagnosticado por meio de acompanhamento e avaliação clínica. O Autista apresenta comportamento repetitivo e restrito, tendo dificuldade de comunicação e podendo ser dependente total, dependente parcial, independente com restrições ou independente total.

Diagnóstico inicial

O Transtorno do Espectro Autista é geralmente diagnosticado nos primeiros anos da infância, não significando que jovens ou até mesmo adultos estão isentos de serem diagnosticados com a condição tardiamente.

Segundo pesquisas, o TEA é mais frequente no sexo masculino. A estimativa é que, para cada quatro homens autistas, uma mulher apresenta a condição.

Sinais mais observados no Autista

  • Demonstra sensibilidade a diversos ruídos ou sons;
  • Dificuldade de aceitar o toque (contato físico);
  • Demonstra ter muita passividade ou hiperatividade;
  • Foca em temas isolados por um longo período;
  • Falta aceitação na alteração das atividades diárias;
  • Ausência da fala ou uma limitação para falar;
  • Demonstra inconsciência do perigo;
  • Tem prazer por tocar em cabelos e barbas longas;
  • Fica pouco tempo numa atividade ou permanece por muito tempo (caso a atividade seja de interesse e significativa);
  • A percepção visual é mais acentuada.

Método ABA

Baseada principalmente na observação, esta prática tem como finalidade ajustar alguns comportamentos indesejáveis ou ao menos diminuir os mesmos, desenvolvendo um comportamento socialmente adequado e a habilidade de funcionalidade ao indivíduo.

ABA (Applied Behavior Analysis, ou Análise do Comportamento Aplicada em tradução livre) é um método indicado para profissionais de educação e famílias de pessoas com TEA fundamentado na abordagem comportamental, no ambiente e nas variáveis que alteram o comportamento. A adesão deste método implica em destacar, estimular e reforçar a conduta positiva, fazendo com que comportamentos indesejados aconteçam com menor frequência já que o indivíduo entende o que se espera dele.

Estratégias que podem influenciar na aprendizagem e vida funcional do autista

As atividades a serem realizadas com o educando em TEA precisam ser orientadas passo a passo para que o mesmo chegue ao entendimento do que foi solicitado. Os exercícios devem ser construídos de forma atraente, agradável e com imagens coloridas, possibilitando clareza na assimilação.

Pareamento: se o aprendente aprecia assistir vídeo, seja o mentor que assiste vídeo com ele. Se ele adora uma bala, tenha sempre uma para oferecer. São processos reforçadores transferidos a você como um referencial no desenvolvimento das atividades que pretende.

Rotina: é necessário planejar toda e qualquer atividade, levando em conta a idade e os pré-requisitos conhecidos a partir da avaliação diagnóstica, atentando sempre para o tempo de cada atividade. A rotina pode ser programada com cartazes na sequência de como irão acontecer, sendo necessário garantir que os materiais reforçadores tenham fácil acesso imediato.

Exemplo: hora do intervalo, ilustração:

1 – lavando as mãos;

2 – comendo a merenda ou lanche;

3 – indo ao banheiro;

4 – lavando as mãos;

5 – retornando a sala.  

Obs.: Se alfabetizado, a indicação de cada ação deve ser com chavão escrito.

Atraente/Significativo: deixe um objeto atrativo para que ele se dirija ao local (mesa, carteira) da atividade como um jogo, livro ou massa de modelar dependendo do gosto do aluno.

Local de ensino: no começo do ensino escolha um local sem barulho ou distração, que não perturbe o bom andamento da aprendizagem. Depois de algum tempo deve ser escolhido qualquer lugar, assim o aluno terá interação com diversos ambientes para consolidar a aprendizagem.

Ambiente agradável/alegre: para o profissional é trabalho, ensinamento, avaliação. Para ele, diversão, alegria, prazer, aprendizagem. Deixar a massinha, o jogo, ou outro enquanto entra no conteúdo não é problema.

Tempo: de início oferecer atividade mais curta, simples e fácil, aumentando gradativamente de acordo com o interesse do aprendente. Não permaneça mais que o limite do educando em cada atividade.

Um local: para melhor controle da situação é importante a proximidade. Por isso, manter o aluno próximo, na mesa mais a frente, ou de frente para o professor é estratégia fundamental.

Conteúdo: o tema a ser trabalhado deve ser alternado, apresentando uma mixagem de estímulos dos diversos conteúdos de modo que estes estímulos não sejam repetitivos ou tediosos/chatos. Segundo pesquisas, estas alternâncias de estímulos e de conteúdos evitam fugas e comportamentos negativos. O professor deve levar em consideração as habilidades que o aluno já se apropriou para desenvolver outras mais complexas, sempre levando em conta as características e aprendizagem deste aluno. Lembre-se que eles precisarão de auxílio e intervenção pontuada para a compreensão de tarefas e enunciados. Intercale e varie “demandas de instrução”

Exemplo:

Se o conteúdo a ser trabalhado for “Corpo Humano”, disponibilizar os reforçadores de aprendizagem (cartazes) na mesa e pedir para indicar a figura da comanda (braço, perna, cabeça, etc). Logo após, fazer paralelo com o próprio corpo. Diga para tocar: toque seu próprio nariz; toque sua orelha; toque sua cabeça; toque seu braço.

 

É importante que a aprendizagem tenha significado e que seja funcional para o dia-a-dia do educando. Se o aprendiz procurar fugir ou se remexer na cadeira é um sinal de que a atividade, ou o professor, ficou “chato”. É preciso um esforço reparador para que tanto o educador como o ambiente se mantenham interessantes, ou é hora de passar para outra atividade.

É importante que você ofereça uma aprendizagem significativa, assim indique entendimento receptivo. Você pode dizer: “aponte para a coisa que você usa” ou “mostre aquilo que o papai dirige” ou “onde está…?”. Fica mais próximo da vida real. Se possível, afixar os cartões reforçadores pelo ambiente onde acontece o ensinamento. Com certeza a aprendizagem será satisfatória. Lembre-se de alterar os cartazes de tempo em tempo.

Muitas vezes determinado conteúdo não será representativo para convivência em sociedade, assim a adaptação no currículo é de grande valia para o aluno (frutas, alimentos, corpo humano, animais, objetos diversos, meios de transportes, cores, sentimentos, comportamentos, grande/pequeno, alto/baixo, número/letra, opostos…) já que são muitos os temas a serem aprendidos pelo autista.

Existem vários outros métodos de trabalho para uma aprendizagem significativa do aluno com TEA. O mais importante é reforçar que cada indivíduo tem suas características, sua especificidade, sua singularidade. Isso é válido para todos.

 

Gostou deste artigo? Leia também “Por que meu filho não aprende?!” e entenda os diversos fatores que podem levar uma criança a não desempenhar uma boa aprendizagem.

 

Referências do Artigo:

http://www.neurosaber.com.br – instituto Neurosaber  

SEESP/EFAP – Secretaria de Estado da Educação de São Paulo – Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores.

LEAR Kathy, Help Us Learn: A Self-Paced Training Program for ABA – Manual,

Toronto, Ontario – Canada, 2a edição, 2004 – Ajude-Nos a Aprender, Manual ABA – Comunidade Virtual Autismo no Brasil – tradutores: Windholz, M. Hofmann;  Vatavuk, M. de Castro; Dias, Inês de S.; Filho, Argemiro de P. Garcia; Esmeraldo, Ana V. – Brasil, 2006 – yahoogrupos.com.br/groups/autismo

 

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Eliana Fonseca Lemes

Written by

Psicopedagoga Clínica Especialista em Aprendizagem Infantil.

Comments 7

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15 junho 2019 Responder

Matéria maravilhosa e muito esclarecedora.

Clínica Vitalità
17 junho 2019 Responder

Que bom que vc gostou, Carolina!! 🙂

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18 junho 2019 Responder

Eu tenho uma autista em sala e não é fácil mantê-la nas atividades, ela quer sempre sair da sala, é agressiva, lendo a matéria entendi alguns comportamentos dela e vou providenciar as atividades adaptadas. Obrigada e parabéns.

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18 junho 2019 Responder

Uma excelente matéria, muito elucidativa em relação ao trato de crianças portadoras de autismo.
Aprender o que foi passado e colocar em prática no dia a dia é fundamental.

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19 junho 2019 Responder

Adorei a matéria. Só quem vivência o dia a dia dessas crianças conhece os desafios que enfrentamos.

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19 junho 2019 Responder

Excelente matéria, nos retrata bem a importância da dedicação, sensibilidade e persistência no ensinar.

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19 junho 2019 Responder

Gostei muito! Muito esclarecedor!

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